O documento de 2002 nasceu em um momento em que a ecocardiografia precisava sair do laudo artesanal, digitado ou pouco estruturado, para uma rotina minimamente padronizada. O objetivo central era definir quais informações deveriam aparecer em um laudo transtorácico adulto: identificação do paciente, indicação do exame, dados demográficos, medidas essenciais, descrição das estruturas cardíacas e uma conclusão capaz de responder à pergunta clínica.
Em 2025, a pergunta mudou. A discussão não é apenas “quais campos o laudo deve ter?”, mas “como o laudo comunica melhor, compara melhor, circula melhor entre sistemas, apoia decisões e cria dados confiáveis para qualidade, pesquisa e inteligência artificial?”. A atualização mantém os objetivos de 2002, mas amplia o escopo para uma medicina digital, conectada e cada vez mais dependente de dados estruturados.
| Tema | 2002 | 2025 |
|---|---|---|
| Foco | Padronizar o laudo transtorácico adulto. | Padronizar laudos TTE, TEE, estresse, estudos limitados e comunicação do resultado. |
| Formato | Estrutura básica com demografia, avaliação e resumo. | Relatório completo, conciso, correto e clinicamente útil. |
| Dados | Medidas e descrições preferencialmente codificadas. | Dados interoperáveis, comparáveis, reutilizáveis e preparados para análise em escala. |
| Tecnologia | Computação emergente e software de laudo estruturado. | Prontuário eletrônico, DICOM, big data, machine learning e modelos de linguagem. |
| Comunicação | Resumo com achados relevantes e comparação quando disponível. | Fluxo do rascunho ao laudo final, achados críticos/urgentes e comparação multimodal. |
A evolução mais importante é que o laudo deixa de ser visto como um documento isolado e passa a ser tratado como uma peça de comunicação clínica, gestão de qualidade e informação estruturada. Isso muda a forma como sistemas de laudo precisam ser desenhados: não basta permitir digitação livre; é necessário combinar texto médico, campos estruturados, normalidades, comparações, imagens, prioridades e rastreabilidade.
Para clínicas brasileiras, essa mudança tem uma consequência direta: atualizar o modelo de laudo não é apenas trocar frases. É revisar o fluxo de trabalho do ecocardiografista, o modo de capturar medidas, a forma de comparar exames anteriores, o padrão da conclusão e a maneira como o resultado chega ao paciente e ao médico solicitante.
Como a Medware entra nessa agenda
Os sistemas Laudos Flex e Laudos UX da Medware são relevantes nesse contexto porque foram concebidos para trabalhar com modelos personalizáveis, campos estruturados, variáveis, normalidades, frases, gráficos, assinatura digital, comparações e integrações. Isso permite adaptar o modelo de laudo ao protocolo científico adotado pela clínica, sem transformar o guideline em um texto engessado.
A Medware, em conjunto com o Dr. Luciano Belém, que vem estudando profundamente esses guidelines, tem priorizado desenvolver um modelo de laudo que contemple esses conceitos e permita ao médico brasileiro trabalhar de forma mais alinhada às recomendações atuais, preservando julgamento clínico, clareza e produtividade.