Atualização Científica
Como o novo Guideline da ASE 2025 transforma a estrutura dos laudos de ecocardiografia

Em setembro de 2025, a American Society of Echocardiography (ASE) publicou uma atualização profunda em suas diretrizes para a padronização de relatórios de ecocardiografia em adultos. Conduzido por um comitê de especialistas liderado pela Dra. Cynthia Taub e veiculado no Journal of the American Society of Echocardiography, o documento representa a revisão de maior impacto feita na área em mais de duas décadas, estabelecendo novos horizontes para a qualidade, consistência e troca de dados no setor.
Por que essa atualização era tão necessária?
A última grande diretriz voltada especificamente para a padronização de relatórios de eco havia sido desenhada no início dos anos 2000. De lá para cá, a cardiologia e a tecnologia diagnóstica avançaram em ritmo acelerado. Passamos da era dos relatórios digitados isoladamente para o ecossistema do prontuário eletrônico universal, dos exames em alta resolução e, mais recentemente, do processamento de dados apoiado por Inteligência Artificial (IA).
A própria ASE aponta que muitas clínicas ainda geram documentos baseados em conceitos antigos. O objetivo desta nova diretriz não é apenas atualizar parâmetros de medição, mas sim redefinir o papel do relatório médico. O foco mudou: o laudo moderno precisa ir além de uma simples folha impressa; ele deve ser uma ferramenta estruturada que facilite a comunicação clínica imediata e esteja pronta para a integração digital de dados.
Os 4 pilares de um laudo de excelência
O novo documento resume as características de um relatório de alta qualidade em quatro conceitos fundamentais, que devem nortear o trabalho do ecocardiografista:
O exame deve trazer todas as informações essenciais exigidas para aquela modalidade.
Evitar frases excessivamente longas ou parágrafos puramente teóricos que gerem ruído na leitura.
Garantir exatidão técnica, eliminando abreviações ambíguas e dados conflitantes no mesmo texto.
O laudo precisa responder de forma clara à dúvida do médico assistente que solicitou o exame.
O que muda no conteúdo e na estrutura na prática?
O Guideline organiza recomendações específicas para exames transtorácicos (ETT), transesofágicos (ETE) e ecocardiografia de estresse. Abaixo, destacamos as principais mudanças estruturais:
A coleta de dados na abertura do exame ganhou mais peso. Variáveis como idade, sexo, raça/etnia, peso, altura e a área de superfície corporal (BSA) precisam estar completas para permitir a indexação correta das cavidades cardíacas. Outro ponto crucial é a aferição da pressão arterial e da frequência cardíaca obtidas no leito no exato momento do início do exame, em vez de apenas copiar registros antigos do prontuário.
O documento traz regras claras sobre a formatação de dados numéricos para evitar interpretações erradas. Valores de volumes das cavidades, frações de ejeção e pressões calculadas devem ser reportados como números inteiros. Já parâmetros como velocidade do fluxo, áreas valvares e dimensões lineares devem utilizar, no máximo, uma casa decimal (por exemplo, reportar a velocidade máxima da válvula aórtica como 4,2 m/s, e não 4,21 m/s).
A proliferação de siglas na literatura médica vinha se tornando um problema de segurança para o paciente. O Guideline traz uma lista detalhada de abreviações que devem ser evitadas. Um exemplo clássico é a sigla "MVR", que dependendo do contexto poderia significar mitral valve replacement (troca valvar), mitral valve repair (plástica valvar) ou mitral valve regurgitation (insuficiência mitral). A orientação atual é priorizar termos padronizados e fáceis de entender, mesmo por profissionais de saúde não cardiologistas.
O texto reforça a importância de comparar diretamente os achados antigos com os atuais do paciente. Identificar variações significativas na fração de ejeção ou na motilidade parietal ao longo do tempo é tratado como um indicador essencial de qualidade. O médico deve registrar no laudo se a comparação foi feita revisando as imagens anteriores ou apenas lendo o relatório passado.
Para que algoritmos de aprendizado de máquina (machine learning) e modelos de linguagem ajudem as clínicas no futuro, os dados gerados hoje precisam estar organizados. Um laudo de ecocardiografia padronizado e estruturado de forma consistente funciona como o alicerce necessário para que as ferramentas de IA operem com segurança e precisão.
Novidades na biblioteca do Laudos Flex: O novo modelo do Dr. Luciano Belém
O Laudos Flex é conhecido no mercado justamente por sua versatilidade, oferecendo uma biblioteca com diversos modelos de laudos prontos que os médicos podem escolher e utilizar na rotina de suas clínicas, de acordo com suas preferências de trabalho.
Para acompanhar essa grande evolução global da cardiologia, a biblioteca do sistema vai ganhar um reforço de peso. O Dr. Luciano Belém está desenvolvendo um modelo de laudo inédito e totalmente estruturado com base nas novas exigências do Guideline ASE 2025.
Esse novo modelo técnico passará a integrar as opções nativas da plataforma, permitindo que qualquer médico usuário do sistema possa adotá-lo em sua clínica para emitir relatórios com total segurança diagnóstica.
Disponibilidade em outubro
A equipe de tecnologia da Medware está trabalhando na modelagem desse novo layout de preenchimento de dados para integrá-lo perfeitamente ao ecossistema do software. Esse novo modelo desenvolvido pelo Dr. Luciano Belém estará disponível para uso de todas as clínicas e médicos parceiros na plataforma Laudos Flex a partir de outubro.
O impacto prático para o médico e para a gestão da clínica
Muitas vezes, a palavra "padronização" gera o receio de engessamento da conduta médica. No entanto, a filosofia por trás do novo Guideline aponta na direção oposta: padronizar serve para libertar o profissional.
Ao utilizar ferramentas estruturadas dentro do software, que organizam automaticamente as tabelas de mensuração e definem termos claros, o médico elimina o trabalho repetitivo de digitação e formatação. Com isso, o ecocardiografista ganha tempo livre para focar no que realmente demanda sua expertise: a análise interpretativa profunda do caso, a correlação clínica dos achados e a redação de conclusões úteis para o médico que irá conduzir o tratamento do paciente.
Para os gestores, o benefício se traduz em eficiência operacional, relatórios entregues com maior agilidade, redução drástica de erros de preenchimento e o posicionamento da clínica em total conformidade com os mais altos padrões mundiais de qualidade.
Prepare a sua clínica para o futuro dos exames cardiológicos
Com a flexibilidade e a constante atualização da biblioteca do Laudos Flex, sua clínica ganha em modernidade e liberdade de escolha. Quer ver de perto como as nossas ferramentas simplificam a emissão de exames e conhecer as opções de modelos disponíveis? Converse hoje mesmo com um consultor da Medware e acompanhe todas as novidades que chegam em outubro.
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