Powww! Correee! Dicom e Correria.

Desde o ano 2000 ouvíamos falar sobre o DICOM, mas somente em 2009 resolvemos desenvolvê-lo. Após dois anos de pesquisas, linhas de códigos e muitos manuais em inglês, conseguimos desenvolver 100% o padrão de comunicação DICOM STORE (o equipamento médico envia para o computador os exames realizados).

Apesar de sermos novatos no mercado de DICOM, nossa solução caiu no gosto dos médicos rapidamente. Diferente dos parrudos PACS, era uma solução que trazia somente o essencial: imagens no computador, sem frescuras. Apertou, chegou.

Com o passar do tempo surgiram novos mercados: Ressonância e Tomografia. Éramos da área de Ecocardio e essas possibilidades nos assustaram um pouco, mas tudo bem, não custava testar. O que parecia complexo caiu como uma luva. Muitos tinham a necessidade de ter um DICOM Print (possibilidade de imprimir as imagens em impressoras ligadas a computadores), e novamente o nosso sistema essencial se encaixou muito bem. Tinha um preço acessível e era prático, logo, suas vendas começaram a decolar.

Certo dia, recebemos uma ligação do interior de Tocantins, um médico queria colocar nossa solução de DICOM Print em sua clínica. Aparentemente a missão era simples, bastava ir em sua cidade e instalar o programa. Missão dada é missão cumprida. Apesar de ser longe, não podíamos perder o cliente, então eu mesmo fui.

Ao chegar em Palmas, capital do estado, fiquei à espera do transporte. Logo parou um carro próximo de mim, eram engenheiros em um carro alugado indo para lá, eles eram a minha carona. Na trajetória descobri que eles estavam indo para montar a RM. Tudo bem, sem problemas. As instalações de ultrassons que eu estava acostumado a acompanhar eram geralmente rápidas, nada que algumas horas não resolviam, nunca tinha visto uma RM ser montada, mas achei que seria equivalente. A viagem foi longa, aproveitei para tirar um cochilo.

Ao chegar, me deparei com o tamanho do problema, a RM ainda estava em caixas. Dizer que estava como um lego é exagero, mas faltava muito para o ok. Como não tinha para onde correr, tive que esperar a sua montagem. O que era para ser feito em um dia se tornou uma semana, e eu já estava agoniado para ir embora. Após vários dias e tudo que fosse possível dar errado… dar errado, enfim, tudo caminhava para um bom desfecho. Saímos, então, para jantar, e durante a conversa um deles jogou a frase: “Só falta acontecer aquilo também”! Ficamos rindo da sua suposição! Eu nem imaginava o que era, mas ri junto. Bem, logo iria descobrir.

O pior da montagem já tinha passado e eu estava na sala de comando configurando o que era possível, contava as horas para finalizar tudo e enfim ir para casa. Por detrás da RM, os engenheiros finalizam a montagem e ficavam brincando de dar susto um no outro. Tudo estava caminhando bem quando de repente ouvi um estouro, Powwww! Não dei atenção, pensei que fosse uma brincadeira. Rapidamente a sala começou a se encher de uma fumaça branca, e, do meio daquele “nevoeiro”, os dois engenheiros saíram correndo e gritando: “Corrreeee!”. Eu não imaginava o que era, mas nesses momentos damos uma de Forrest Gump e voamos como o vento. Agora sim, não faltou mais nada acontecer!

No lado de fora, me condoei com o médico, que olhava tristemente aquele gás saindo pela chaminé. O gás hélio, tão caro para comprar quanto para transportar para a cidade, agora voava livremente pelo ar juntamente com o seu rico dinheirinho investido. Seu semblante mostrava que ele estava mais exausto que eu e os engenheiros juntos. Se algo podia dar errado de fato deu! Naquele momento não se tinha muito o que fazer, somente lamentar e pedir um novo caminhão com o gás para resolver.

Como demoraria mais alguns dias, deixei a minha parte toda configurada e combinei de voltar para Brasília. Felizmente, após alguns dias o gás foi reposto, a montagem finalizada, e o meu sistema, enfim, funcionou perfeitamente. Ainda bem!

Moisés Nogueira de Faria
CEO Medware